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Francisco de Lacerda (1869 - 1934)

Francisco de Lacerda (1869–1934) foi uma das figuras mais singulares da música portuguesa do início do século XX: compositor, maestro e pensador musical com uma formação profundamente cosmopolita e uma identidade artística enraizada nos Açores. Nascido em São Jorge, iniciou a aprendizagem musical com o pai e prosseguiu os estudos em Angra do Heroísmo, Lisboa e, mais tarde, Paris, onde ingressou na Schola Cantorum e contactou diretamente com alguns dos mais relevantes meios artísticos do seu tempo. A sua carreira internacional como chefe de orquestra afirmou-se sobretudo em França e na Suíça, em cidades como Nantes, Montreux e Marselha, onde dirigiu repertório então ainda pouco difundido, incluindo obras de Fauré, Chausson, Mussorgsky, Borodine e Debussy.

Enquanto compositor, Lacerda revela a assimilação do ambiente francês finissecular — na atenção à cor, à concisão formal e à subtileza harmónica —, mas evita a imitação servil. A proximidade ao universo de Debussy foi muitas vezes assinalada, embora a sua música conserve um perfil claramente pessoal, depurado e de grande requinte. Em vez da expansão retórica, prefere frequentemente a miniatura, a concentração expressiva e uma economia de meios que confere às suas obras uma intensidade particular.

Um dos aspetos mais originais do seu percurso é a forma como articula essa cultura europeia com a memória musical portuguesa. Nos anos passados nos Açores, e mais tarde já em Lisboa, dedicou-se à recolha e ao estudo da música tradicional, não num sentido estritamente etnomusicológico, mas como base para a construção de uma linguagem própria. Esse contacto com o canto popular e com um imaginário insular profundamente interiorizado reaparece transfigurado em muitas páginas da sua obra, em particular nas Trovas, onde a simplicidade aparente convive com uma elaboração harmónica extremamente refinada.

Conhecer Francisco de Lacerda é descobrir um compositor que alarga o mapa habitual da música portuguesa. A sua obra interessa não apenas pelo contexto histórico que representa, mas pela qualidade intrínseca da escrita, pela inteligência tímbrica, pela elegância formal e pela capacidade de fundir modernidade europeia e identidade portuguesa sem folclorismo superficial. Para intérpretes e maestros, o seu catálogo oferece precisamente isso: música de personalidade vincada, de alta exigência artística e ainda hoje injustamente pouco frequentada.

Partituras

Bomtempo, João Domingos - Sinfonia Nº 1 Bomtempo, João Domingos - Sinfonia Nº 1
Visualização rápida
Bomtempo, João Domingos - Sinfonia Nº 1
70,00 €

TIPO

Partitura geral, impressão em papel, encadernado.

Partes individuais em regime de aluguer. Valor sob consulta: info@ekletica.org

ORQUESTRAÇÃO

Flauta I, Flauta II, Oboé I, Oboé II, Clarinete I, Clarinete II, Fagote I, Fagote II, Trompa I, Trompa II, Tímpanos; Violino I, Violino II, Viola, Violoncelo, Contrabaixo

DURAÇÃO

c. 26 min.

Bomtempo, João Domingos - Sinfonia Nº 1 Bomtempo, João Domingos - Sinfonia Nº 1
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Bomtempo, João Domingos - Sinfonia Nº 1
70,00 €

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Partitura geral, impressão em papel, encadernado.

Partes individuais em regime de aluguer. Valor sob consulta: info@ekletica.org

ORQUESTRAÇÃO

Flauta I, Flauta II, Oboé I, Oboé II, Clarinete I, Clarinete II, Fagote I, Fagote II, Trompa I, Trompa II, Tímpanos; Violino I, Violino II, Viola, Violoncelo, Contrabaixo

DURAÇÃO

c. 26 min.